Adaptação…A garantia de um bom começo!

by admin on fev.01, 2010, under Pingo de Gente

A adaptação à escola é um momento muito importante na vida de uma criança, e mantém características singulares, uma vez que cada ser humano traz na “bagagem” inscrições da sua história de vida. História que começa antes mesmo de a criança nascer! Entre os muitos fatores, estão as interferências do momento episódico em que a entrada na escola irá acontecer, as características etárias, o preparo e a aceitação familiar…

Como forma de buscar uma melhor maneira para escrever sobre, sem ter em mente um caso em específico, e mantendo o cuidado para não criar regras gerais a serem seguidas que poderão impedir de ver a cada criança aqui e agora, vamos aqui discorrer seguindo os diferentes momentos que envolvem uma adaptação sadia:

O PRIMEIRO, e que referimos como primordial, será à busca de esclarecimento para aceitação da maternal por parte da família como um todo, mantendo a clareza do que estão buscando e do que irão encontrar. Para isso, será necessário pesquisar, observar o entorno e conversar com pessoas que conhecem as instituições escolhidas, antes mesmo de visitá-las, desfazendo assim todo e qualquer paradigma negativo que possa existir, e buscando a certeza de que vão encontrar o que estão a buscar.

O SEGUNDO momento consiste em conhecer amplamente as Escolas Maternais pré-escolhidas, visitando-as e colhendo informações que assegurem a confiança da família. Momento fundamental, e que deve ser feito por ambos: pai e mãe (ou quem constitui a família da criança no momento), pois a identificação da família com a escola, garantirá a segurança por “entregar” o filho, autorizando-o a gostar do espaço e a construir nele importantes descobertas. A escolha acertada estará também prevenindo a desistência ou a necessidade de uma mudança, tendo na confiança e no vínculo a garantia de um bom começo escolar; o que, certamente, irá se inscrever para sempre!
Caso a criança tenha mais de um ano, mesmo que não tenha compreensão das palavras, terá dos sentimentos que elas transmitem, portanto, deve-se conversar e contar sobre a busca e a escolha que a família está fazendo, assim como sobre os motivos que a estão levando a decisão, antes mesmo de visitar com a criança um estabelecimento. Nunca falar de maneira exagerada, pois tudo o que tiver que ser muito explicado, ou preparado poderá deixar angústia, além de revelar a ansiedade e a insegurança de quem está falando.
No TERCEIRO momento, a criança, assegurada pela confiança dos pais, poderá vir a conhecer o novo espaço; ou novos espaços, quando o processo de escolha ainda estiver sendo feito.
É aconselhável, após tomada a decisão por uma instituição, que a adaptação seja iniciada e acompanhada pela mãe.
Caso a criança seja um pouco maior, e seja impossível a mãe acompanhar todo o processo de vínculo ao novo espaço, aos colegas e a professora, a pessoa que irá fazê-lo deverá ter com a criança intimidade e desejar, juntamente com a família, que ela tenha uma boa experiência.
Para que a criança se vincule e passe a considerar a idéia gratificante, tudo deverá ser brevemente explicado, mostrado, combinado… de forma a dar-lhe segurança do que está por vir. Também a permanência da criança na escola, nos primeiros dias, deverá ser curta, iniciando por uma hora e aumentando gradativamente, até que ela experimente os variados momentos na escola; simultâneo deve acontecer a experiência de afastamento da pessoa que acompanha a criança, observando igualmente períodos a cada dia mais prolongados de ausência até que a criança possa permanecer no novo ambiente sozinha.
Salientamos que mesmo que nos primeiros dias a criança não chore, ou mostre algum outro sintoma de desadaptação, deve-se manter o tempo curto de permanência na escola, reservando a ela o desejo por querer retornar no dia seguinte, motivada por ter algo por ver ou concluir. Tudo isso deve ser combinado diariamente entre a família e a escola, de forma a nos acercarmos de que a criança está sendo respeitada nas suas necessidades.
O tempo necessário para cada adaptação dependerá de cada criança (e sua história ou momento histórico), e a garantia de uma experiência saudável está diretamente relacionada à confiança dos pais e a sua disponibilidade em ouvir e atender as necessidades do filho (a) e as orientações da professora e/ou especialistas.
Importante lembrarmos que há crianças que se envolvem com as novidades e que vêm, portanto, a perguntar sobre o que está ou vai acontecer, somente alguns dias depois; tempo que pode variar entre três dias ou até mesmo um período superior a uma semana.
Também os sintomas desse período são variáveis, podendo manifestar-se através do controle do sono, do deixar de alimentar-se, do mudar de humor… ou do choro, que mesmo sendo o mais comum e esperado, é também o que mais comove a quem acompanha a criança. Nesse caso, nunca devemos contê-lo, e sim recebê-lo, traduzindo o seu significado e deixando evidências de que o entendemos, e de que iremos acolhê-lo. Ao a criança saber-se entendida, o choro “enquanto pergunta” poderá ainda se manifestar, porém de maneira menos doida. O mesmo vale para outras condutas que se manifestarem nesse momento, e que, igualmente necessitam ser acolhidas para que a criança compreenda e elabore o que está acontecendo.
Frisamos que, independente da faixa etária em que a criança se encontra, será normal apresentar sinais de estranhamento, os quais devemos qualificar e considerar saudáveis. Além de revelarem a compreensão cognitiva da criança em adaptação, há a segurança de que os vínculos anteriores serão e estarão a serviço dos vínculos que terá que construir a partir de então para constituir-se sujeito das suas próprias ações, das suas relações sociais e afetivas no novo ambiente em que passará a conviver.
Outra importante lembrança se refere ao bebê antes dos oito meses de idade, enquanto ainda não tem a noção do objeto permanente, o que o limitará a representar os sintomas de estranhamento, no entanto, independente disso, necessitará de um tempo de adaptação. Também a mãe precisará desse tempo para que possa “espiar” o movimento da escola e o que acontece por lá, construindo ou sedimentando sua confiança e sua capacidade para a entrega do seu bebê. E é talvez dessa relação de confiança entre a mãe e a escola, que o bebê encontrará a segurança que lhe assegurará uma permanência tranqüila.

Objetos de transição, como paninhos, bonecos ou mesmo um brinquedo preferido da criança poderão ser benéficos e deverão acompanhá-la, principalmente durante o período de adaptação; após, caso haja a intenção de não mantê-lo diariamente, conversar e combinar com a professora a sua restrição gradativa. Também algum pertence da mãe ou do pai poderão lhe auxiliar nesse momento, pois constituir-se-ão vínculos com os mesmos e com sua casa, garantindo-lhe simbolicamente que não os perdeu e irá reencontrá-los em breve.
No final do período escolar, se a criança quiser levar consigo um objeto da escola, aconselhamos que o faça, pois permitirá que estreite os laços entre está e a sua casa.
Caso no decorrer do período de adaptação a criança passar por algum desconforto (doença, perda ou alguma mudança significativa), converse com a professora ou especialista, pois é muito importante que ela não venha a relacioná-lo com a escola.
O QUARTO momento servirá para manter saudável a experiência escolar, valendo sua lembrança por muitos e muitos anos:
Família!
*Nunca leve dúvidas para casa. Tente sempre esclarecê-las com a pessoa envolvida ou com os especialistas que a escola dispõe, antes que esta seja sentida pela criança e apareça através de sintomas que denunciem sua intranqüilidade;
*Busque sempre conversar com a criança perguntando sobre o que fez, o que sente e sobre suas expectativas, naturalmente e sem exageros. Isso revelará a importância que você dá a escola e ao que seu filho (a) está a construir lá. Nem sempre a criança terá respostas, mas entenderá o interesse e a qualificação de quem está a perguntar;
*Procure entender se um dia a criança resistir ou chorar na hora da despedida, ou mesmo antes de sair de casa, pois, viver em sociedade exige compreensões nem sempre fáceis, e muitas vezes, nem mesmo a criança saberá verbalizar seu receio ou dificuldade;
*Prefira sempre despedir-se, mesmo que seja difícil, pois sair sem que a criança perceba lhe deixará muito insegura, podendo esse sentimento estender-se para outros momentos. A segurança que a criança sente ao saber o que vai acontecer lhe favorecerá alívio e confiança nos pais e na escola;
*Tudo o que é novo implica em desafios que necessitam ser vencidos, enfrentados, sem que desistamos antes de tentar. Essa é talvez uma das demandas mais difíceis de um pai ou uma mãe ensinar a um filho, mas possivelmente estará entre as mais importantes de sua vida;
*A participação e o interesse dos pais na vida escolar do filho são fundamentais e o comprometem com buscar nela o melhor para si.

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